Um Natal alemão

Em Berlim, no Natal de 1944, com o Reich devastado e quando tudo parecia tão perto do fim, um furioso Goebbels apelava para que os seus compatriotas tivessem um «Natal alemão». Com isso procurava exaltar as qualidades de um povo exausto e quase derrotado nas frentes de guerra. O Natal alemão deveria ser austero, rigoroso, resistente. Perdidos nos labirintos da propaganda, os dirigentes nazis estavam na teia das suas próprias fantasias.

Os dias do fim
Muitas décadas depois, vários povos da Europa estão a viver o seu próprio Natal alemão. Mercê de políticas brutais, milhões regrediram na sua qualidade de vida, perderam salários, empregos, esperança. À frente de um dos motores da economia europeia está uma dirigente que viveu o resultado da tragédia nazi a partir do Leste e impõe a toda a Europa um impasse sem solução aparente e sem regulação democrática das suas decisões.

Os portugueses que passam este Natal no fio da navalha perguntam-se, muito justamente, em nome de que ideal europeu estão a passar pelas dificuldades actuais. Não há, por estes dias que vivemos, respostas definitivas. Apenas podemos trabalhar por uma alternativa na Europa, que inevitavelmente chegará, e enquanto isso lembrar os muitos momentos que já passámos em que do mais profundo abismo se fez progresso, desenvolvimento, solidariedade.

Como naquele Natal, apesar de tudo não tão longínquo, na Berlim de 1944.

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