Uma democracia doente

Progressivamente, anos de desenvolvimento nos cuidados de saúde estão a regredir de forma preocupante. A questão não é financeira, mas ideológica. A coberto da crise, um sistema público de saúde está a ser desmantelado de facto, muito para além de qualquer racionalização, fazendo com que o acesso à medicina esteja crescentemente dependente da condição económica do doente.

Democracia doenteHoje soubemos que a lista de espera para exames já ultrapassa os 100 dias. Cresceu de 96,4 para 105,7 dias num mês. A isto acrescem as dificuldades nas cirurgias e transplantes, bem como os aumentos generalizados das taxas moderadoras. Erguem-se barreiras a toda a volta do SNS, dificultando o seu acesso e com isso impondo uma fronteira radical entre ricos e pobres onde ela jamais poderia existir.

Quanto mais tempo passa, menos distância para o Portugal que ficou para trás, mais atraso e subdesenvolvimento. São sintomas de uma democracia doente.

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