Contra a economia da desqualificação

Vale a pena acompanhar estes dados do Observatório do Emprego da Universidade do Porto. Contrariando os discursos que depreciam a formação superior, constata-se uma elevada empregabilidade entre os diplomados da UP: para os alunos que terminaram o curso há mais de cinco anos, a taxa de desemprego é de 6%, menos de metade da média nacional e ainda menos da média do distrito e da região.

Naturalmente que os dados têm ser mais decompostos (qualidade do emprego, disparidades por curso, incidência de desemprego por género, etc), mas a tendência é clara e alarga-se certamente às outras universidades públicas do país.

O investimento em formação, gerando externalidades positivas para todo o país, é uma decisão individual que compensa no mercado de trabalho após a conclusão de determinados períodos de frequência universitária: não só a empregabilidade é maior, como todos os os estudos indicam que o período de permanência no desemprego é também menor.

Contrariando os pré-conceitos sobre o desperdício da formação superior, conjuga-se um outro que estes dados parecem também desmentir indirectamente: não temos diplomados a mais. Muito pelo contrário, a percentagem de população universitária em relação à população do país envergonha-nos na comparação com as médias europeias e da OCDE.

Temos por isso de prosseguir com um esforço público de financiamento e de alargamento do acesso a um ensino superior de qualidade e rigoroso, garantindo assim uma sociedade mais qualificada e mais instrumentos de combate ao desemprego. Será por aí que iremos combater a economia desqualificação e dos baixos salários que a constituem, atrasando-nos na base das nossas sociedades globais.

This entry was posted by Tiago Barbosa Ribeiro. Bookmark the permalink.