Dez anos para isto?

Para além do abandono de funções de dois vereadores, a recente celebração dos 10 anos de mandato da coligação PSD/PP no Porto serviu para uma espantosa operação de limpeza de imagem e de spin, a que não é alheia a luta de poderes que vibra no interior do PSD e que tem impacto na coligação.

Pedro Moutinho, líder do CDS no Porto, afirmou que «Rui Rio não deixou nenhuma promessa por cumprir». Paulo Rios ainda foi mais longe, considerando que uma «gestão à Rui Rio teria impedido entrada da troika».

Estas afirmações reproduzem a imagem que a coligação foi trabalhando ao longo dos últimos anos, que tem apenas um problema: a realidade. Dez anos de PSD/PP no Porto fizeram a cidade regredir em todos os indicadores de desenvolvimento.

Nem todos os elementos negativos são resultado da acção autárquica, é certo, mas decorrem quase todos da sua inacção e das externalidades geradas. Inversamente, poucas ou mesmo nenhumas são as realizações positivas que podemos associar directamente à iniciativa política da Câmara Municipal do Porto. Vale a pena um esforço de concretização:

  • Bolhão num estado de absoluta degradação após 10 anos de promessas eleitorais de requalificação.
  • 10 anos de perda contínua de população, sobretudo jovens, atingindo hoje os mínimos de há 100 anos.
  • Pavilhão Rosa Mota sem requalificação.
  • Desemprego acima da média nacional.
  • Pobreza acima da média nacional.
  • Falta de diálogo com as instituições da cidade e hostilização de muitos agentes, instituições e personalidades da cidade.
  • Privatização da empresa municipal Águas do Porto, contrariando compromissos eleitorais.
  • Negócios pouco claros no imobiliário, sendo o mais recente o famoso bairro do Aleixo.
  • Milhões investidos numa estratégia falhada de recuperação urbana, em particular no centro onde se verifica uma hecatombe populacional, sem qualquer visão de futuro.
  • Abandono progressivo da Ribeira e do capital adquirido com a classificação do centro histórico do Porto como património da Humanidade.
  • Quase inexistência de limpeza urbana em várias zonas da cidade, nomeadamente na baixa, contrariando os compromissos com a concessão aos privados.
  • Tentativa de venda do Silo-Auto.
  • Atrasos no Parque Oriental, penalizando expressamente uma freguesia socialista.
  • Ataques constantes à imprensa.
  • Privatização do estacionamento público.
  • Criminalização dos problemas sociais, revelando incapacidade para os resolver (arrumadores, ...).
  • Propaganda municipal massiva paga com dinheiros públicos ao longo de todos estes anos, incluindo um canal de televisão da Câmara nas habitações sociais.
  • Falta de concertação com a Universidade do Porto.
  • Abandono de qualquer estratégia para o Rivoli.
  • Incapacidade de captar investimento e empregos para a cidade (Corte Inglés, ...).
  • Isolamento dos equipamentos e infra-estruturas da cidade.
  • Ausência de trabalho em rede na cultura, na inovação, no empreendedorismo.
  • Perda de relevância do Porto no contexto regional e nacional.
  • Deslocalização de várias empresas para outros concelhos perante a inacção autárquica.
  • Desperdício de fundos comunitários em todos - todos - os exercícios financeiros.
  • Situação financeira desesperada após 10 anos de «boa gestão», privatizando serviços e alienando património num montante global superior a 50 milhões de euros em 2012.
  • ...

Estes são apenas alguns dos muitos elementos que têm de ser considerados numa avaliação destes três mandatos autárquicos. Já passaram 10 anos. Foi para isto?

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