A encenação de uma farsa

A saída de Álvaro Castello-Branco da Câmara Municipal do Porto (CMP) para a Águas de Portugal é um episódio que evidencia tristemente a direita que temos. Três notas:

  1. O abandono de funções surge a meio de um mandato que foi antecedido por uma ofensiva populista durante a campanha autárquica. Quem não se lembra dos «dois pés no Porto» da coligação PSD/PP? Afinal, os pés foram rapidamente para outras margens. A fuga dos vereadores da CMP fragiliza o executivo e representa a confirmação de um insulto à inteligência dos portuenses, mas há mais.
  2. A outra face destas saídas e do incumprimento do mandato assumido está na tomada de assalto a institutos e empresas públicas por parte do Governo PSD/PP, nomeando de forma abusiva o seu pessoal político para lugares-chave na administração pública e no sector empresarial do Estado. As promessas de Passos Coelho durante a campanha eleitoral são de um país distante.
  3. Um último elemento deste episódio está na forma como Álvaro Castello-Branco, até agora vice-presidente da autarquia, vai abandonar funções: suspendendo o seu mandato. Ou seja, irá para a administração de uma empresa pública com os valores conhecidos, mantendo sempre a possibilidade de retomar por uns meses, em ano de eleições autárquicas, a cadeira que agora deixou vazia.



Não se trata da pessoa, como é evidente, mas dos princípios que daqui se extraem: é esta direita que diariamente exige que os portugueses saiam da sua zona de conforto e que até emigrem, esmagando salários e flexibilizando leis laborais.

Eles ditam as regras para os portugueses mas reservam para si um mundo muito próprio. Um mundo de mentiras eleitorais, de nomeações cruzadas e de lugares cativos na alta administração pública. O seu discurso é a encenação de uma farsa.

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