Um relatório da Organização Internacional do Trabalho confirma que a realidade é bastante distinta dos discursos do nosso Governo: a precariedade laboral aumentou fortemente e Portugal é já terceiro da Europa em trabalho temporário.
A crise gerada por quem combate a regulação laboral motivou mais desregulação laboral. Graças a isso, defende-se precisamente mais desregulação laboral. O ciclo está fechado para uma distribuição assimétrica da crise e da acumulação do capital.
No mundo do trabalho como noutras áreas, a direita joga na ignorância para cumprir o seu programa. É por isso que a esquerda tem de ter um discurso simples e eficaz para combater a direita no plano das ideias e no plano das políticas alternativas. A rigidez laboral do nosso país é uma ficção. A única rigidez é ideológica.
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O desfile de Portugal

Gostei de ver em Lisboa, no passado fim-de-semana, um autêntico desfile de Portugal. É um país que o gabinete de Miguel Relvas ignora e que é tantas vezes desconsiderado pelos seus traços tão deslocados deste mundo que se crê tão moderno.
Esse país ali esteve: colectividades, ranchos, associações culturais, desportivas e comunitárias, fanfarras, folclore, artesanato, gastronomia, etnografia, identidades locais tão vincadas e tão diversas. Não foi, em rigor, uma manifestação. Foi um sinal de vitalidade da República.
O país real marchou na longínqua Lisboa como símbolo de um Estado central que quer secar ainda mais os laços entre as populações, que se realizam em tantos casos em torno da unidade territorial da freguesia. São um cimento social decisivo em contexto de crise, particularmente no vasto mundo rural, mas também no tecido urbano.
Deve existir uma reforma, sim, mas uma reforma que sirva as populações para além dos powerpoints. Esta acção foi um importante momento para situar os termos do debate.