Educação, a base de uma sociedade próspera e democrática

Texto para a edição de Agosto de 2012 da revista ID', publicada pela associação CASA.
 



A educação é um dos principais alicerces de sociedades prósperas e democráticas. Prósperas, porque sem cidadãos que adquiram sólidas competências formais ao longo de um percurso académico plural, não teremos uma economia competitiva e qualificada. Democráticas, porque sem essa economia que seja capaz de remunerar com dignidade o valor do trabalho, não teremos mobilidade social nem cidadãos auto-suficientes, capazes de realizarem as suas aspirações independentemente do seu meio social de origem: são eles que engrossarão as classes médias dos países desenvolvidos.

Numa sociedade saudável, a educação e a formação são assim termos de troca de uma economia mais justa e menos dependente. Não por acaso, à semelhança de outros países, momentos de transformação democrática em Portugal foram determinantes para novas concepções sobre a educação cidadã, como são os casos da instrução pública na República ou o extraordinária desenvolvimento da escola pública após o 25 de Abril, do pré-escolar à escolaridade obrigatória, até ao ensino universitário interclassista.

Este esforço foi prosseguido por vários Governos democráticos, sendo particularmente visível com executivos socialistas, permitindo melhorar de forma incomparável o acesso à educação  por parte de todos os cidadãos portugueses, investindo nas infra-estruturas escolares e equipamentos, apoiando os alunos com bolsas de estudo e transportes escolares, aproximando a triste realidade portuguesa de há algumas décadas dos melhores padrões europeus, dotando por sua vez as nossas empresas e a nossa economia de quadros qualificados e mais capazes.

Ora, com o actual Governo PSD/PP estamos a assistir a um retrocesso sem paralelo: as obras de requalificação do parque escolar foram suspensas, os projectos de enriquecimento curricular estão paralisados, os professores são alvo de um ataque sem precedentes, milhares de alunos estão com cortes nas bolsas e nos passes de transportes, o novo estatuto do aluno é globalmente incompetente e injusto, milhares de jovens abandonam precocemente o sistema de ensino e pela primeira vez em muitos anos baixou o número de candidatos ao ensino superior.

A escola pública deixou de ser um espaço de aprendizagem e uma esfera fundamental para as famílias portuguesas, fechando-se, degradando-se e tornando-se crescemente mais inacessível a quem menos tem. Por sua vez, para esses cidadãos, menos qualificações implicam menos mobilidade social, menos resistência a situações de desemprego e maior exposição a trabalhos precários, a subemprego e à prevalência de baixas remunerações.

Estamos a assistir à imposição de uma agenda ideológica sobre o sistema educativo, com efeitos duradouros na preservação de uma economia do passado e de um país desigual.

This entry was posted by Tiago Barbosa Ribeiro. Bookmark the permalink.