O negócio da austeridade


















Os programas de austeridade actualmente existentes, desregulando as forças produtivas e as relações sociais a favor do capital, desenvolvem-se numa complexa teia que legitima as políticas em curso e o sistema mediático que as enxerta como «inevitáveis» em democracia.

Os negócios da crise incluem por isso os que resultam dela e os que se servem dela como programa de transformação pública, desestruturando o equilíbrio que a Europa ocidental construiu ao longo das últimas décadas.

São disso exemplo o recuo da regulação pública, as privatizações, a destruição prática da Segurança Social (a próxima grande vaga da «crise»), as regras da circulação de capitais (uma opção humana como qualquer outra), a redução dos custos do trabalho, mas também os negócios propriamente ditos, associados ao cumprimento do «ajustamento».

A maioria é feita sem escrutínio e numa lógica muitas vezes cartelizada, como é caso de «consultorias técnicas» e «especialistas» de toda a estirpe.

O EU Observer fala no escândalo de negócios de muitos milhões nos países europeus, merecendo esta breve referência na RTP. Muitos destes magos das finanças vendem as inevitabilidades (quem não se lembra do«inevitável» resgate global a Espanha, que foi evitado com uma oposição mais responsável do que a direita portuguesa?) e depois servem-se dela directamente. 

É o negócio da austeridade em todo o seu esplendor de imoralidade.