Antes mesmo de qualquer análise sobre os resultados do referendo à livre circulação na Suíça, os argumentos para a sua convocação - e o tipo de campanha feita pelos nacionalistas do SVP - demonstram como a ignorância é um pasto fértil para o populismo e a demagogia.
Contrariando os imigrantes em «massa» que estariam a tirar empregos aos suíços, esta iniciativa da direita extrema choca frontalmente com a realidade:
- Segundo a OCDE, a Suíça é quem mais beneficia com a livre circulação: comparando receita fiscal com custos atribuídos aos imigrantes (incluindo custos administrativos, sociais e de infra-estruturas que lhes podem ser imputados), o saldo positivo é de pelo menos 6,5 mil milhões de francos.
- Quatro em cada dez novas empresas na Suíça são de estrangeiros. Em 2013, criaram pelo menos 30 mil novos postos de trabalho.
- 1/4 do crescimento no consumo desde 2008 pode ser atribuído aos estrangeiros (Credit Suisse).
- Um posto de trabalho em cada três depende das trocas da Suíça com a UE, que ganha um franco em cada três nas exportações com a Europa.
- A Suíça tem 470 mil cidadãos a viver nos Estados da UE.
Acontece que as percepções são bem mais poderosas do que os factos.
As raízes da árvore que despedaçam a Suíça nos cartazes nacionalistas são na verdade as sementes da sua prosperidade, mas os fantasmas nunca precisaram de terra firme para inspirarem os maiores medos.
