Obiang e a direita dos valores












Longe vão os tempos que a dita direita dos valores queria fechar fronteiras aos imigrantes. Agora vende um pouco de tudo nesse nicho, desde passaportes para o espaço Schengen (vulgo vistos gold) até respeitabilidade institucional em organizações internacionais. Azar dos africanos que naufragam no Mediterrâneo só com esperanças imensas, sem possibilidade de acederem ao tráfico da cidadania.

A adesão da Guiné Equatorial à comunidade de países de língua portuguesa, com o alto patrocinato da direita em exercício, é a mais recente abjecção ética, política e moral. E não falar português, sendo o mais óbvio, nem é o mais grave.

Obiang é um ditador feroz que chegou ao poder em 1979 após matar o tio. Dirige um dos regimes mais fechados e repressivos do mundo, subjugando um povo na miséria mais sinistra, na perseguição, na morte e até no canibalismo.

Nos últimos anos tem tentado comprar algum espaço na cena política internacional. Fê-lo oferecendo as avestruzes que os ucranianos descobriram na propriedade de Ianukovich (é mesmo verdade) e agora percebeu que existe em Portugal um Governo de mão estendida, sem balizas éticas, disponível para tudo: depois de mandar uns milhões para o BANIF, o ditador vai pagar a jóia de inscrição na CPLP.

O antigo administrador do BPN, actual ministro dos negócios, acha tudo bem. Parece que a palavra de Obiang vale mais do que o seu cadastro. É uma política em linha com governantes de joelhos. Que nojo.