Rangel, a Jarra Ming













5 anos no Parlamento Europeu fizeram objectivamente mal a Paulo Rangel. Lá na civilização, longe da piolheira que os seus correlegionários desprezam e estão a pôr a bolachas de água e sal, Paulo Rangel substituiu o recorte de um homem combativo mas cordato pelo trauliteirismo chineleiro, uma das correntes dos situacionistas mais fiéis.

Depois de atacar a lista socialista com uma demagogia que não lhe conhecíamos, perguntou hoje ao PS se prefere que o líder da Comissão Europeia seja alemão ou português. Vindo no seguimento da candidatura do alemão Schulz para a CE, a dúvida de Rangel é especialmente estúpida. E há pelo menos 5 razões para isso, tantas quantos os anos que Rangel leva de deslumbramento lá na «Europa».

  1. A alternativa não é entre nacionalidades, mas sim entre políticas. 
  2. Não há nenhum português como alternativa: a direita europeia, fac-similada por Rangel-PSD-PP nestas eleições em Portugal, apoia Juncker, o sorumbático luxemburguês que o PPE quer ver a gerir a CE. 
  3. A coligação dos 101 dálmatas (Rangel dixit) resulta dos directórios de um Governo cujo pensamento europeu é a obediência ao mais forte, por acaso a Alemanha nos últimos anos. 
  4. O assomo tão patrioteiro contrasta com a prática do seu Governo que vendeu todas as jóias nacionais, desfez centros de decisão, privatizou empresas sem olhar a quem ('nacionalizando' a EDP via China, mas mantendo Catroga a supervisionar os negócios), meteu vistos em saldo para magnatas obscuros de todo o mundo terem livre-trânsito na velha Europa, preocupando-a, e difundiu o mais pacóvio e anti-patriótico discurso sobre a produtividade dos portugueses, esmagando salários, validando a xenofobia sobre o Sul e eliminando até feriados simbólicos da nossa história como Estado.
  5. Se está a pensar num português que foi até agora presidente da CE, então o tiro é ainda mais suicida. Durão Barroso teve uma curta história como Primeiro-Ministro mas foi suficiente para ser o que mais subiu dívida antes do subprime, deixou o país com o discurso da tanga e com a tanga propriamente dita, derrapou o défice e ainda teve tempo para servir de criado de libré na Cimeira das Lajes que provocou um genocídio no Iraque, até então um dos fetiches dos falcões da direita mundial. Com isso garantiu o seu visto gold para a presidência da Comissão Europeia onde foi uma sofrível nulidade e influenciou tanto as cimeiras em que participou como os tradutores das palavras serôdias de Frau Merkel. 
Percebe-se a estratégia dos passistas e portistas, mas Paulo Rangel merecia mais do que ser transformado na Jarra Ming deste Governo.