O princípio do fim

A falência ética e política deste Governo está bem plasmada na campanha que pôs em marcha.

Com uma aliança colada a cuspo que obviamente não chegará às legislativas, Rangel (mais), Melo (menos) e toda a caterva que os acompanha prestam-se a um papel sofrível, vazio, resistindo como podem à evidência do desastre que escavaram no país, que nem uma poderosa arquitectura de propaganda do «pós-troika» consegue disfarçar.

Rangel fez uma dieta agressiva mas tirou mais do que devia, a começar pela boa educação e por um nível mínimo de urbanidade. Transformou-se, com especial esmero, num caceteiro.

Melo e Portas, que ficarão reduzidos a um deputado europeu, são os cultores do trautileitirismo que ficará impregnado nos dois partidos da direita, do champanhe pelo gargalo à anti-socratite aguda, o vírus original. Comentadores presidenciáveis laranja pululam de comício em comício para inflamar os torpes. Cavaco, como sempre, cavaquista. E Passos, ao longe, prepara o discurso da derrota e a estratégia de contenção quando o derrame já vai fundo.

Nada dizem ao país estes homens de palha com frases de palha e mentes de palha que, num assomo de orgulho, não deixarão de ser devidamente ajustados e empacotados pelos eleitores no próximo domingo.

Chama-se a isso, não por acaso, o princípio do fim.