O dono disto tudo

















Ei-lo. Foi até agora o dono disto tudo. O maior medo de uns, a bolsa corrente de outros. Era o rosto de uma implacável rede de poder, clientelismo e patrocinatos em Portugal, muito para além do universo empresarial que liderou durante tantos anos.

Não houve Governo democrático que não tivesse o seu (ou seus) homem BES na transumância banca-política-banca, um batalhão de assalariados principescamente pagos em lugares-chave, instituições, organismos e centros de decisão, incluindo o Parlamento. Fez e desfez Governos: a sentença ao último executivo do PS foi dada por si e a entrada da troika em Portugal teve a sua chancela. Com um telefonema traçou o destino de milhares de empresários e trabalhadores. Despachava semanalmente com os maiores CEO's do país. E personificava na perfeição o capitalismo caseiro, rentista e predatório sobre os sectores produtivos, mas nunca perdendo o verbo fácil contra o excesso do Estado que lhe permitiu medrar nas sombras nunca reflectidas.

Nunca deixou também de ser um Robespierre do moralismo liberal, lançando tiradas arrogantes e desprezíveis sobre os portugueses pobres e desempregados, ele que sugou biliões dos sectores produtivos e nunca deixou de estar acima de todos, a começar pela Justiça, estando permanentemente envolto em escândalos que o seu poder abafou uma e outra vez.

Era poderoso, era o poder em si mesmo, e exercia-o com força bruta. Não é caso único, mas é claramente o mais importante. Game over, doutor Salgado.