No centenário da Primeira Guerra Mundial
















O centenário da Primeira Guerra Mundial está a passar quase despercebido em Portugal. Esse esquecimento institucional transpira o espírito destes tempos em que somos liderados por sorumbáticos (es)cultores da finança para quem a história, a política e a memória colectiva em geral (veja-se a chocante extinção do 5 de Outubro e de outros feriados), são coisas menores. Tão pequeninos que eles são.

A Primeira Guerra Mundial teve 70 milhões de mobilizados, provocando mais de 15 milhões de mortos e incapacitados. Foi a primeira guerra verdadeiramente mundial, indo das possessões em África, onde Portugal também combateu, aos protectorados no Pacífico. Foi também primeira guerra a aplicar métodos de industrialização do terror e da morte. Portugal entrou na guerra tardiamente, mas o suficiente para mobilizar 200 mil homens e colapsar em La Lys, um dos maiores desastres militares da nossa história. A Primeira Guerra pulverizou quatro impérios (alemão, russo, austríaco e otomano) e quatro dinastias na Europa, foi o estertor da Europa colonial, fez nascer novos países (Finlândia, Estónia, Letónia, Lituânia), alterou radicalmente valores colectivos e moldou o Médio Oriente até hoje: foi a Declaração de Balfour, em 1917, que determinou a criação do Estado Judaico na Palestina, após mais de um milhão de judeus ter combatido ao lado dos Aliados entre 1914-18.

Por sua vez, não é possível compreender toda a história do século XX, que para todos os efeitos acabou há meia dúzia de dias, incluindo o Muro de Berlim, sem perceber o Tratado de Versalhes e as sementes de nacionalismo em que cresceram os nazi-fascismos, levando à Segunda Guerra Mundial, e antes dela a Guerra Civil de Espanha e ainda antes dela, no âmago dos choques imperiais, os bolcheviques.

Mas o que é isto tudo perante os básicos tecnocratas que nos abafam?