Outra vez a TSU

O Governo vai hoje anunciar a redução da TSU paga pelas empresas. É essa a notícia, e não o aumento do Salário Mínimo Nacional.

Como contrapartida do cumprimento de um acordo laboral congelado há anos, e aceite pelos empresários (que não exigiam «contrapartidas»), o Governo continua a sua estratégia de desequilíbrio fiscal a favor do capital, de desvalorização do factor trabalho e de descapitalização da Segurança Social. Enquanto baixa IRC e TSU para empresas, aumenta IRS e IVA.

O desconto às empresas, neste caso, é de 17,8 milhões de euros. E comparações com a medida de 2010 são absurdas, já que a baixa da TSU era temporária (um mundo de diferença), inseria-se num pacote global de combate à crise e surgiu após um aumento de €100,4 consolidado do salário mínimo desde 2006.

Não tenho absolutamente nada contra a redução de impostos para empresas, pelo contrário, mas jamais poderei aceitar que existam sucessivas reduções sem um pacote fiscal global que englobe o trabalho, ou que medidas estruturais de política salarial passem a ter contrapartidas fiscais.

É isso que espero de um futuro Governo reformista de esquerda.