Para fechar as Primárias











Uma última nota sobre as Primárias (publicada originalmente um dia depois das eleições).

1. Os resultados demonstram que não havia nenhuma clivagem no PS, muito pelo contrário, e confirmam que a avaliação política que fizemos após as eleições europeias era partilhada por um número muito significativo de militantes e simpatizantes, demonstrando o desfasamento radical entre a direcção política do PS e o país.

2. Muitos amigos apoiaram António José Seguro por acreditarem genuinamente no seu projecto e bateram-se nele pelas melhores razões. Para eles, um abraço.

3. Quanto a outros, uma minoria, o esforço de unidade que começou ontem não significa um esquecimento instantâneo - e hipócrita - sobre um certo tipo de campanha baseada na calúnia, no insulto, no populismo atroz, no ataque pessoal, em campanhas negras e na cobertura a argumentos da direita contra António Costa.

4. Alguns deles, pelo que li, não votarão no PS nas próximas legislativas. Fazem bem. Um PS grande não deixa ninguém de fora, mas não se deforma ao ressentimento e à desideologização.

5. António Costa não é um Messias. A sua diferença far-se-á no projecto, na liderança, na equipa, na personalidade e na construção de uma maioria alargada ao governo dos situacionistas, rompendo pela esquerda com a política actual e os seus mecanismos de legitimação. Se for assim, já é quase tudo.

6. Uma minoria, um pouco por todo lado, confunde unidade com obediência e já ensaia fidelidades que ainda ontem estavam noutros lados, combatendo os que não se conformaram com o rumo que estava a ser seguido e permitiram este resultado. Infelizmente, faz parte.

7. Travámos um extraordinário combate no país, extenuante, exigente, difícil porque entre camaradas, mas os resultados devem orgulhar-nos. As legislativas começaram ontem.

8. No distrito do Porto, contra tudo o que era dito e publicado, sem as máquinas de várias índoles, obtivemos uma vitória histórica num contexto especialmente adverso.

9. No Porto, a minha concelhia, António Costa teve quase 4.000 votos e uma vitória por cerca de 75%, ganhando sem excepção em todas as mesas e secções. Parabéns a todos os que se empenharam activamente para este resultado.

10. O Governo e a direita ficaram inquietos. Uma grande notícia para o país e uma enorme responsabilidade para o PS.

Leitura complementar: Carta a um Secretário-Geral