Comunicações submarinas

Contrariamente ao que muitos julgam, as comunicações internacionais de Internet não se fazem por satélite: a quase totalidade das comunicações estão entregues aos cabos submarinos.

Há um site muito interessante que demonstra o mapa das comunicações submarinas.


Aqui podem encontrar um vídeo da instalação destes cabos.

Obiang e a direita dos valores












Longe vão os tempos que a dita direita dos valores queria fechar fronteiras aos imigrantes. Agora vende um pouco de tudo nesse nicho, desde passaportes para o espaço Schengen (vulgo vistos gold) até respeitabilidade institucional em organizações internacionais. Azar dos africanos que naufragam no Mediterrâneo só com esperanças imensas, sem possibilidade de acederem ao tráfico da cidadania.

A adesão da Guiné Equatorial à comunidade de países de língua portuguesa, com o alto patrocinato da direita em exercício, é a mais recente abjecção ética, política e moral. E não falar português, sendo o mais óbvio, nem é o mais grave.

Obiang é um ditador feroz que chegou ao poder em 1979 após matar o tio. Dirige um dos regimes mais fechados e repressivos do mundo, subjugando um povo na miséria mais sinistra, na perseguição, na morte e até no canibalismo.

Nos últimos anos tem tentado comprar algum espaço na cena política internacional. Fê-lo oferecendo as avestruzes que os ucranianos descobriram na propriedade de Ianukovich (é mesmo verdade) e agora percebeu que existe em Portugal um Governo de mão estendida, sem balizas éticas, disponível para tudo: depois de mandar uns milhões para o BANIF, o ditador vai pagar a jóia de inscrição na CPLP.

O antigo administrador do BPN, actual ministro dos negócios, acha tudo bem. Parece que a palavra de Obiang vale mais do que o seu cadastro. É uma política em linha com governantes de joelhos. Que nojo.

Agir pelo Norte














Os dados são da CCDR-N: desde 2008 a região Norte injectou, em média, cerca de mil milhões de euros por ano na economia nacional. Foi também a região que mais contribuiu para darmos a volta à crise: o contributo da região para a balança de transacções do país atingiu um superavit de 5122 milhões de euros entre 2008 e 2012.

Cruzando estes dados com décadas de fundos estruturais perdidos e com a bota centralista que agrava as desigualdades de rendimento e o desemprego na região, percebe-se a dupla desigualdade em relação ao Norte. É preciso ir mais além.  Algumas possibilidades:

  • redistribuição de uma % do superavit comercial através de investimentos no OE e noutros programas-quadro (para o Norte e para todas as regiões que cumpram os indicadores); 
  • gestão independente das infraestruturas regionais; 
  • linhas a fundo perdido para combater o desemprego; 
  • isenções e benefícios para as empresas da região; 
  • quotas para as empresas da região nas compras centrais do Estado; 
  • posteriormente, repensar o próprio quadro fiscal para particulares e empresas. 

Só parece impossível até começar a ser feito.

Aritmética

O PSD mente e continua a dizer que o Norte vai receber mais fundos comunitários. Mas já que preferem defender o directório em vez da região, fica um desafio: como é possível o país receber menos fundos comunitários e o PSD garantir que todas as regiões (à excepção da Madeira) vão receber mais dinheiro?

Porto, melhor destino europeu













Orgulho: o Porto foi eleito o melhor destino europeu em 2014.

A distinção advém de uma grande mobilização de milhares turistas de toda a Europa, mas também do município, das empresas e de muitas instituições do Porto que se associaram à votação mais expressiva que este prémio já teve.

O resultado ajuda a reforçar a posição charneira do Porto no turismo em Portugal e consolida a sua inequívoca expressão internacional.

Vale a pena ver o vídeo oficial da organização e partilhar todos os elementos sobre este assunto, incluindo algumas das milhares de notícias que já estão na rede.

A Suíça e os fantasmas













Antes mesmo de qualquer análise sobre os resultados do referendo à livre circulação na Suíça, os argumentos para a sua convocação - e o tipo de campanha feita pelos nacionalistas do SVP - demonstram como a ignorância é um pasto fértil para o populismo e a demagogia.

Contrariando os imigrantes em «massa» que estariam a tirar empregos aos suíços, esta iniciativa da direita extrema choca frontalmente com a realidade:

  • Segundo a OCDE, a Suíça é quem mais beneficia com a livre circulação: comparando receita fiscal com custos atribuídos aos imigrantes (incluindo custos administrativos, sociais e de infra-estruturas que lhes podem ser imputados), o saldo positivo é de pelo menos 6,5 mil milhões de francos.
  • Quatro em cada dez novas empresas na Suíça são de estrangeiros. Em 2013, criaram pelo menos 30 mil novos postos de trabalho.
  • 1/4 do crescimento no consumo desde 2008 pode ser atribuído aos estrangeiros (Credit Suisse).
  • Um posto de trabalho em cada três depende das trocas da Suíça com a UE, que ganha um franco em cada três nas exportações com a Europa. 
  • A Suíça tem 470 mil cidadãos a viver nos Estados da UE.

Acontece que as percepções são bem mais poderosas do que os factos.

As raízes da árvore que despedaçam a Suíça nos cartazes nacionalistas são na verdade as sementes da sua prosperidade, mas os fantasmas nunca precisaram de terra firme para inspirarem os maiores medos.

AEP contra o centralismo

Corajosa entrevista de José António Barros, explicando a irracionalidade de gastar 600 milhões de euros num porto de águas profundas em Lisboa quando o Norte e o Centro agregam 70% do tecido industrial, contestando também o modelo de gestão dos fundos comunitários.

Quanto mais vozes se erguerem contra este centralismo que nos atrasa, mais rapidamente conseguiremos dar a volta.

A guerra e a memória

Não constitui novidade, mas surgem novos dados sobre os internamentos compulsivos de republicanos e opositores políticos durante o franquismo, destruindo as suas vidas. A notícia surge numa altura em que a direita no poder reviu a lei da memória histórica do PSOE e cortou apoios para as exumações de cadáveres em valas comuns que ainda subsistem em todo o país. A Espanha demora a enterrar os seus fantasmas.

Sobre o autoritarismo de Berlim

E assim se continua a destruir o projecto europeu. O Ministro das Finanças alemão foi ao Parlamento Europeu dizer que se os deputados cumprirem a sua função - e, entre outras coisas, reforçarem uma união bancária à imagem da Europa e não de Berlim - irá vetar o projecto final.

Com uma força baseada na fraqueza (e no enfraquecimento) de todos os restantes países, a Alemanha continua a agredir a União e a confundir defesa de um interesse nacional (o seu) com autoritarismo face aos interesses dos outros países.

Não vai acabar bem.

Contra o novo acordo ortográfico












A contestação ao novo acordo ortográfico ao acordo de iliteracia continua em várias frentes.

Muitas empresas proíbem-no expressamente, vários jornais não o aplicam, diversos organismos públicos boicotam-no e a generalidade dos cronistas e autores coloca em rodapé a recusa de escrever mediante as novas regras dos tecnocratas da língua.

Os danos são visíveis em todo o lado, provocando um abastardamento linguístico que mais se assemelha a um português tribal de sms, misturando duas convenções, replicando erros das duas, degenerando estupidamente uma língua por causa de um acordo que nenhum dos «acordados» quer aplicar, à excepção de uns iluminados em Portugal.

O processo impositivo do novo acordo ortográfico tem muito do carácter falsamente redentor do «ajustamento», sendo mais desvalorizado pela sua dimensão cultural e imaterial. Quanto mais tempo insistirmos neste erro, pior, e não é aceitável que uma geração comece a ser formada na ignorância linguística mediante os protestos de uma parte substancial da comunidade educativa: os pais.

A este propósito, vale a pena ler dois recentes artigos, um de José Pacheco Pereira (tendo neste momento mais de 21 mil partilhas!) e outro de Vasco Graça Moura, apresentando algumas opções para a saída desta trapalhada. Vamos a isso que já vamos tarde.

SOS ao SNS











Sucedem-se as notícias sobre problemas e falhas graves no nosso Sistema Nacional de Saúde, demonstrando que os cortes massivos estão a colocar em causa cuidados básicos:

  • Atrasos de muitos meses e até anos nos exames de diagnóstico, nomeadamente colonoscopias, condenaram doentes ao desenvolvimento de formas agressivas de cancro que não foram detectadas prematuramente. 
  • Em Carnaxide, uma idosa acamada com leucemia ficou sem acompanhamento médico e de enfermagem durante 5 meses. 
  • A tuberculose voltou a crescer no Norte após 10 anos de recuo.
  • A Ordem dos Médicos aponta falta de camas hospitalares e de contratação de pessoal.
  • Um doente ficou 50 horas à espera de internamento no Hospital de Santo António.
  • Médicos e enfermeiros do Algarve denunciam falta de luvas, seringas e outro equipamento essencial.
  • Ambulâncias paradas por falta de funcionários.
  • Administradores dos IPO alertam para falta de pessoal.
  • O Hospital de Santo António sem fotoquimioterapia há mais de um mês.
  • ...

Outros dados, como a mortalidade infantil e os transplantes (que já liderámos a nível mundial durante a governação do PS), confirmam que o SNS está a dar um grito de SOS.

Pela primeira vez desde 1974, estamos a recuar nos padrões ocidentais de saúde pública que conseguimos conquistar com tantas dificuldades.

Ou acudimos ao SOS do SNS ou ficaremos apenas com o primeiro.

Herança socialista

















Portugal está a bater todos os recordes de produção de energia limpa e o ano passado foi até agora o mais renovável neste século (na produção e consumo).

Igualmente impressionante é a poupança: entre outros, as renováveis em 2013 pouparam 806M€ na importação de combustíveis fósseis e 40M€ em licenças CO2.

É mais uma herança socialista.

Emprego, desemprego, desespero

Mais do que as habituais disputas sobre décimas infinitesimais nos dados do desemprego, vale a pena atentar noutros dados do INE referentes a 2013 sobre o Vietname Portugal:

  • Há pelo menos 120.600 portugueses que trabalham e ganham menos de 310 euros por mês. 
  • Quase 600 mil trabalham e recebem o indecoroso salário mínimo. 
A estes mais de 720 mil que aceitam vender a sua força de trabalho por valores humilhantes (um dos objectivos do choque liberal), acrescem os muitos que estão no subemprego e em situações de semi-escravatura sem papéis.

Depois temos milhares e milhares de emigrantes.
E 824 mil desempregados estatísticos.
E reformados compulsivos que aceitam perder uma fatia considerável do que descontaram ao longo da sua vida de trabalho para acederem a uma reforma em condições desvantajosas, mas muitas vezes a única saída para obtenção de um rendimento mínimo.

No total, já para além do emprego e do desemprego, são milhões que estão sobretudo em desespero.

O negócio da austeridade


















Os programas de austeridade actualmente existentes, desregulando as forças produtivas e as relações sociais a favor do capital, desenvolvem-se numa complexa teia que legitima as políticas em curso e o sistema mediático que as enxerta como «inevitáveis» em democracia.

Os negócios da crise incluem por isso os que resultam dela e os que se servem dela como programa de transformação pública, desestruturando o equilíbrio que a Europa ocidental construiu ao longo das últimas décadas.

São disso exemplo o recuo da regulação pública, as privatizações, a destruição prática da Segurança Social (a próxima grande vaga da «crise»), as regras da circulação de capitais (uma opção humana como qualquer outra), a redução dos custos do trabalho, mas também os negócios propriamente ditos, associados ao cumprimento do «ajustamento».

A maioria é feita sem escrutínio e numa lógica muitas vezes cartelizada, como é caso de «consultorias técnicas» e «especialistas» de toda a estirpe.

O EU Observer fala no escândalo de negócios de muitos milhões nos países europeus, merecendo esta breve referência na RTP. Muitos destes magos das finanças vendem as inevitabilidades (quem não se lembra do«inevitável» resgate global a Espanha, que foi evitado com uma oposição mais responsável do que a direita portuguesa?) e depois servem-se dela directamente. 

É o negócio da austeridade em todo o seu esplendor de imoralidade.