1% dos portugueses tem 21% da riqueza do país.

Indecisos

Passos e Portas só decidem em quem votam nas legislativas depois de conhecerem melhor o programa do PS.
Sim, há alternativa
Foi hoje apresentado o cenário macroeconómico alternativo solicitado pelo PS.
O estudo resulta de um trabalho sério e estruturado (link para pdf) que apresenta medidas que o PS pode ou não incluir no seu Programa de Governo. Certo é que apontam um caminho radicalmente oposto ao que foi aplicado pela direita, valorizando o trabalho e os rendimentos para uma economia decente. Sim, é possível uma governação de esquerda.
Aqui ficam as principais medidas em diferentes áreas.
O trabalho que pague a crise
Notícias da retoma em Portugal
Outra vez a TSU

Em 2012, o Governo de Passos/Portas decidiu baixar a TSU para as empresas e aumentá-la para os trabalhadores. Tratava-se de uma vergonhosa transferência de recursos do trabalho para o capital.
O Governo foi obrigado a recuar pela maior manifestação popular desde 1974. Hoje, de forma muito clara, Passos anunciou que se for reeleito vai baixar os custos laborais para as empresas. Outra vez. Isso não é IRC, é TSU.
Depois não digam que não foram avisados.
Duarte Cordeiro, um rostos da renovação no PS
Bom artigo sobre o percurso do Duarte Cordeiro.
Lições gregas
Participei recentemente num debate promovido pela JS Viseu sobre as lições gregas para a esquerda europeia. Eis algumas de que falei para estimular o debate:
1. A primeira lição é aprender a lição: a social-democracia entrou em crise porque foi parte da crise.
2. Os partidos também morrem.
3. A maior responsabilidade de um partido é com o seu ideário.
4. Os socialistas têm de tomar a dianteira no combate ao senso comum da direita: combate contraintuitivo.
5. São necessários programas reformistas de esquerda (trabalho, fiscalidade, reversão de privatizações).
6. Se os tratados não servem as pessoas, mudam-se os tratados.
7. O fim dos sectarismos dá a maioria à esquerda.
8. Sem internacionalismo não há solução.
9. Com o euro pode não haver solução.
Apesar do centralismo
Exportações do Norte mantêm crescimento acima da média nacional. A região que mais contribui para as exportações é que continua a ser puxada para trás. A regionalização é a grande reforma que está por cumprir.
Apoio à coligação na Câmara do Porto
Reuni hoje com Rui Moreira na qualidade de presidente do PS Porto, confirmando o apoio à coligação que governa a cidade. Esse foi um dos eixos que apresentei aos militantes do Porto, recebendo um apoio expressivo que agora transmiti ao presidente da autarquia. Fiz-me acompanhar do Manuel Pizarro e do Gustavo Pimenta, respectivamente líderes do PS na Vereação e na Assembleia Municipal.
O PS Porto continuará a trabalhar colocando sempre em primeiro os interesses da cidade.
A ideologia da pobreza
«(...) O Estado paga, no máximo, 178,15 euros por titular de RSI; 89,07 por cada um dos outros adultos que existam no agregado; 53,44 por cada criança. Ora, um casal com duas crianças recebe no máximo 374,1 euros de RSI. “Para o Governo é este o montante mensal necessário e suficiente para uma família com esta composição satisfazer as suas necessidades básicas”, sublinha Cláudia Joaquim, lembrando que os critérios de acesso à prestação são apertados e a medida envolve assinatura de contrato de inserção social que implica todos os membros.
Já às instituições particulares de solidariedade social (IPSS), o Estado paga 2,5 euros por cada refeição fornecida pelas cantinas sociais. Conforme o protocolo, podem as refeições ser fornecidas até duas vezes por dia, sete dias por semana. Quer isto dizer, nas contas da economista, que uma IPSS pode receber até 600 euros por mês para fornecer almoço e jantar a um casal com dois filhos e ainda cobrar 1 euro por refeição.»
Mais aqui.
Candidatura ao PS Porto
A desigualdade no mundo
A desigualdade global está ao nível de 1820. Contrariamente à narrativa liberal, a desregulação e liberalização dos mercados mundiais não trouxe mais bem-estar mundial.
Novas Oportunidades
Segundo um relatório internacional, o programa Novas Oportunidades continua a garantir bons resultados a Portugal. Um olhar interessante sobre um programa que foi prematuramente extinto por puro preconceito ideológico.
Viver sem nada
Quase 70% dos desempregados não recebiam subsídio em 2014. Um país inteiro a viver abaixo das suas possibilidades.
José Rodrigues dos Santos, o purificador
José Rodrigues dos Santos foi à Grécia fazer a cobertura das eleições e deixou-nos uns contos infantis sobre um país de taxistas que alegam cegueira para sacarem o subsidiozinho, um povo de falsos paralíticos, um país com uma piscina em cada casa, um pedaço de terra onde vivem uns bandalhos preguiçosos que vivem às custas da germanofilia e que ainda têm férias pagas em hotéis de 5 estrelas. Ele percebeu isso tudo em 3 ou 4 dias na velha Grécia, onde também ninguém paga impostos.
A chusma vigilante que por aí anda a vergastar nos pobres e nos habilidosos (eles farejam os malandros à distância, não sabiam?) não perdeu tempo a apoiar o escritor. Eles são os fiéis da purificação moral de Rodrigues Santos. Também são a favor da justiça popular, da pena de morte e de tudo o que os ultrapasse em bafio. São os algozes do Estado social, os reprodutores do senso comum mais básico e miserável, os figurantes forçados de um país atávico onde só eles são as forças motrizes da produtividade, da honradez e do viver habitualmente que os esquerdalhos querem virar do avesso.
Pena que o jornalista e a claque se tenham esquecido de falar dos 10% de gregos que passam o Inverno sem electricidade em casa porque não têm como a pagar, os 28% de desempregados, os mais de 50% de desempregados jovens, os que ficam sem acesso ao sistema de saúde com desemprego de longa duração, a pobreza de um terço dos gregos, o falhanço absoluto de anos sob os ferros da austeridade redentora.
O homem esqueceu-se de tudo isso, dando razão aos básicos que por aí se erguem com preconceitos indesmentíveis contra os funcionários públicos e contra a RTP em especial, favorecendo a sua privatização. Ou, já agora, à quantidade de argumentos xenófobos, preguiçosos e ignorantes que se lançam contra a generalidade dos países do Sul da Europa. Rodrigues dos Santos é tudo isso. O inferno são os outros, não é?
A importância do triunfo do Syriza
Mário Soares, sempre ele, a antecipar ontem os novos rumos da social-democracia europeia contra os falsos extremismos: «Está-se a ver que toda a Europa vai e está a mudar. A Grécia está a mudar e nós também temos de mudar, e rapidamente, em Portugal»
Os olhares viram-se para a Grécia, o país em que a capitulação dos socialistas às teses liberais destruiu o Partido Socialista. Soares está com o Syriza. Os eleitores socialistas que deixaram o PASOK estão com o Syriza. Porque não há extremismo na reestruturação. Porque não há extremismo no aumento do salário mínimo. Porque não há extremismo na recuperação do controlo público sobre empresas rentistas subtraídas aos povos.
Urge romper com o «realismo» situacionista da direita e com a chantagem europeia, ajudando assim mobilizar a social-democracia para reerguer a Europa.
O Syriza é parte da solução para a Grécia, para a Europa e para a esquerda. O caminho seguido pelo Partido Socialista grego foi auto-destrutivo e fê-lo desaparecer: sim, os partidos também morrem. Morrem quando deixam de responder ao seu ideário (o mesmo que desistir), morrem quando assimilam o pensamento dos seus adversários, morrem quando deixam de oferecer respostas em linha com os seus valores.
Por isso o Syriza é antecipação, alerta e esperança. Torço inequivocamente pela sua vitória.
O trabalho que pague a crise
Entre 2011 e 2014, o ganho líquido médio nominal dos trabalhadores do sector privado diminuiu em 5,7%, mas se considerarmos o efeito do aumento de preços, o ganho médio real de 2014 - o poder de compra - é inferior ao de 2011 em 11,6%.
Para os trabalhadores da Função Pública, a redução foi maior.
Aqui.
Os custos do trabalho não são altos em Portugal
Um bom artigo para desmistificar a narrativa liberal:
«Os números apresentados por estes economistas mostram claramente que, ao contrário do que se pensa, foi nos países do Sul da Europa que os custos reais do trabalho menos aumentaram.»
Sem medo
Há 9 anos, o Rui Bebiano e eu próprio promovemos um manifesto crítico das reacções dos governos europeus ao episódio dos cartoons de Maomé. O texto ainda pode ser lido em aqui e é uma inesperada homenagem aos que foram hoje executados em França pelas razões que então nos fizeram tomar partido. Sem medo, sem medo dos radicais, sem medo da apropriação da extrema-direita. Porque nós, Europa, se ainda tivermos alguma ideia de Europa neste continente em farrapos, então ainda sabemos que somos superiores a todos os totalitarismos. Sem medo.
O trabalho paga a crise
Entre 2011 e 2014, período que corresponde ao pico (até à data) do programa ideológico da direita portuguesa e europeia, o rendimento salarial caiu de 65,5% do rendimento disponível para 62,4%. Já a remuneração do capital subiu para 36,4%.
Dito de outra forma, foram retirados 5800 milhões ao trabalho e dados 4400 milhões ao capital: o trabalho paga os custos da crise.
Vergonhoso, intolerável e incompatível com qualquer governação de esquerda decente.



