A ideologia da pobreza

«(...) O Estado paga, no máximo, 178,15 euros por titular de RSI; 89,07 por cada um dos outros adultos que existam no agregado; 53,44 por cada criança. Ora, um casal com duas crianças recebe no máximo 374,1 euros de RSI. “Para o Governo é este o montante mensal necessário e suficiente para uma família com esta composição satisfazer as suas necessidades básicas”, sublinha Cláudia Joaquim, lembrando que os critérios de acesso à prestação são apertados e a medida envolve assinatura de contrato de inserção social que implica todos os membros.

 Já às instituições particulares de solidariedade social (IPSS), o Estado paga 2,5 euros por cada refeição fornecida pelas cantinas sociais. Conforme o protocolo, podem as refeições ser fornecidas até duas vezes por dia, sete dias por semana. Quer isto dizer, nas contas da economista, que uma IPSS pode receber até 600 euros por mês para fornecer almoço e jantar a um casal com dois filhos e ainda cobrar 1 euro por refeição.»

Mais aqui.

Desemprego e Segurança Social

No pico do desemprego do «ajustamento» escrevi que o impacto na Segurança Social seria brutal. A Universidade de Aveiro fez as contas e os números são assustadores.

É por isso que as medidas de austeridade cumprem duas funções para a direita: o desemprego baixa o valor trabalho e, como consequência dos estabilizadores, o sistema público de Segurança Social fica descapitalizado, abrindo caminho a soluções mistas e/ou inteiramente privadas.

Este filme, demasiado previsível, está à frente dos nossos olhos.

SOS ao SNS











Sucedem-se as notícias sobre problemas e falhas graves no nosso Sistema Nacional de Saúde, demonstrando que os cortes massivos estão a colocar em causa cuidados básicos:

  • Atrasos de muitos meses e até anos nos exames de diagnóstico, nomeadamente colonoscopias, condenaram doentes ao desenvolvimento de formas agressivas de cancro que não foram detectadas prematuramente. 
  • Em Carnaxide, uma idosa acamada com leucemia ficou sem acompanhamento médico e de enfermagem durante 5 meses. 
  • A tuberculose voltou a crescer no Norte após 10 anos de recuo.
  • A Ordem dos Médicos aponta falta de camas hospitalares e de contratação de pessoal.
  • Um doente ficou 50 horas à espera de internamento no Hospital de Santo António.
  • Médicos e enfermeiros do Algarve denunciam falta de luvas, seringas e outro equipamento essencial.
  • Ambulâncias paradas por falta de funcionários.
  • Administradores dos IPO alertam para falta de pessoal.
  • O Hospital de Santo António sem fotoquimioterapia há mais de um mês.
  • ...

Outros dados, como a mortalidade infantil e os transplantes (que já liderámos a nível mundial durante a governação do PS), confirmam que o SNS está a dar um grito de SOS.

Pela primeira vez desde 1974, estamos a recuar nos padrões ocidentais de saúde pública que conseguimos conquistar com tantas dificuldades.

Ou acudimos ao SOS do SNS ou ficaremos apenas com o primeiro.