A falência ética e política deste Governo está bem plasmada na campanha que pôs em marcha.
Com uma aliança colada a cuspo que obviamente não chegará às legislativas, Rangel (mais), Melo (menos) e toda a caterva que os acompanha prestam-se a um papel sofrível, vazio, resistindo como podem à evidência do desastre que escavaram no país, que nem uma poderosa arquitectura de propaganda do «pós-troika» consegue disfarçar.
Rangel fez uma dieta agressiva mas tirou mais do que devia, a começar pela boa educação e por um nível mínimo de urbanidade. Transformou-se, com especial esmero, num caceteiro.
Melo e Portas, que ficarão reduzidos a um deputado europeu, são os cultores do trautileitirismo que ficará impregnado nos dois partidos da direita, do champanhe pelo gargalo à anti-socratite aguda, o vírus original. Comentadores presidenciáveis laranja pululam de comício em comício para inflamar os torpes. Cavaco, como sempre, cavaquista. E Passos, ao longe, prepara o discurso da derrota e a estratégia de contenção quando o derrame já vai fundo.
Nada dizem ao país estes homens de palha com frases de palha e mentes de palha que, num assomo de orgulho, não deixarão de ser devidamente ajustados e empacotados pelos eleitores no próximo domingo.
Chama-se a isso, não por acaso, o princípio do fim.
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Rangel, a Jarra Ming
Posted on 02 abril 2014
5 anos no Parlamento Europeu fizeram objectivamente mal a Paulo Rangel. Lá na civilização, longe da piolheira que os seus correlegionários desprezam e estão a pôr a bolachas de água e sal, Paulo Rangel substituiu o recorte de um homem combativo mas cordato pelo trauliteirismo chineleiro, uma das correntes dos situacionistas mais fiéis.
Depois de atacar a lista socialista com uma demagogia que não lhe conhecíamos, perguntou hoje ao PS se prefere que o líder da Comissão Europeia seja alemão ou português. Vindo no seguimento da candidatura do alemão Schulz para a CE, a dúvida de Rangel é especialmente estúpida. E há pelo menos 5 razões para isso, tantas quantos os anos que Rangel leva de deslumbramento lá na «Europa».
- A alternativa não é entre nacionalidades, mas sim entre políticas.
- Não há nenhum português como alternativa: a direita europeia, fac-similada por Rangel-PSD-PP nestas eleições em Portugal, apoia Juncker, o sorumbático luxemburguês que o PPE quer ver a gerir a CE.
- A coligação dos 101 dálmatas (Rangel dixit) resulta dos directórios de um Governo cujo pensamento europeu é a obediência ao mais forte, por acaso a Alemanha nos últimos anos.
- O assomo tão patrioteiro contrasta com a prática do seu Governo que vendeu todas as jóias nacionais, desfez centros de decisão, privatizou empresas sem olhar a quem ('nacionalizando' a EDP via China, mas mantendo Catroga a supervisionar os negócios), meteu vistos em saldo para magnatas obscuros de todo o mundo terem livre-trânsito na velha Europa, preocupando-a, e difundiu o mais pacóvio e anti-patriótico discurso sobre a produtividade dos portugueses, esmagando salários, validando a xenofobia sobre o Sul e eliminando até feriados simbólicos da nossa história como Estado.
- Se está a pensar num português que foi até agora presidente da CE, então o tiro é ainda mais suicida. Durão Barroso teve uma curta história como Primeiro-Ministro mas foi suficiente para ser o que mais subiu dívida antes do subprime, deixou o país com o discurso da tanga e com a tanga propriamente dita, derrapou o défice e ainda teve tempo para servir de criado de libré na Cimeira das Lajes que provocou um genocídio no Iraque, até então um dos fetiches dos falcões da direita mundial. Com isso garantiu o seu visto gold para a presidência da Comissão Europeia onde foi uma sofrível nulidade e influenciou tanto as cimeiras em que participou como os tradutores das palavras serôdias de Frau Merkel.
