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O trabalho que pague a crise
Outra vez a TSU

Em 2012, o Governo de Passos/Portas decidiu baixar a TSU para as empresas e aumentá-la para os trabalhadores. Tratava-se de uma vergonhosa transferência de recursos do trabalho para o capital.
O Governo foi obrigado a recuar pela maior manifestação popular desde 1974. Hoje, de forma muito clara, Passos anunciou que se for reeleito vai baixar os custos laborais para as empresas. Outra vez. Isso não é IRC, é TSU.
Depois não digam que não foram avisados.
O trabalho que pague a crise
Entre 2011 e 2014, o ganho líquido médio nominal dos trabalhadores do sector privado diminuiu em 5,7%, mas se considerarmos o efeito do aumento de preços, o ganho médio real de 2014 - o poder de compra - é inferior ao de 2011 em 11,6%.
Para os trabalhadores da Função Pública, a redução foi maior.
Aqui.
Os custos do trabalho não são altos em Portugal
Um bom artigo para desmistificar a narrativa liberal:
«Os números apresentados por estes economistas mostram claramente que, ao contrário do que se pensa, foi nos países do Sul da Europa que os custos reais do trabalho menos aumentaram.»
O trabalho paga a crise
Entre 2011 e 2014, período que corresponde ao pico (até à data) do programa ideológico da direita portuguesa e europeia, o rendimento salarial caiu de 65,5% do rendimento disponível para 62,4%. Já a remuneração do capital subiu para 36,4%.
Dito de outra forma, foram retirados 5800 milhões ao trabalho e dados 4400 milhões ao capital: o trabalho paga os custos da crise.
Vergonhoso, intolerável e incompatível com qualquer governação de esquerda decente.
Lembrar
Quando o Governo decidiu retirar rendimentos aos trabalhadores e dá-los às empresas: TSU e Natal. Há dois anos que o «Pedro» deixou de escrever no Facebook.
Greves em Portugal
Viver com o salário mínimo
Vale a pena ler esta peça do SOL:
«Noutras famílias a viver com o salário mínimo que o SOL visitou há pontos em comum. A gestão do orçamento familiar é uma tarefa hercúlea, sempre mais difícil nos últimos dias do mês. As crianças estão no centro das angústias dos pais, que andam na casa dos 30 e não têm a escolaridade obrigatória e que tentam protegê-las de uma realidade dura. A solidariedade de associações e de familiares ajuda a sobreviver, mas não há um pé-de-meia para fazer face a emergências. Ter um ordenado e viver em risco de pobreza é uma realidade.»
Salário máximo
A desigualdade de rendimentos tem vindo a agravar-se dramaticamente nas últimas décadas.
Os 100 dirigentes empresariais mais bem pagos da UE e EUA ganhavam 20 vezes o salário médio dos seus trabalhadores em 1980, valor que subiu para 60 vezes em 1998 e atingiu as 160 vezes em 2012.
É necessário parar esta escalada que agrava as desigualdades salariais, desvaloriza o trabalho e fomenta a pobreza entre trabalhadores.
Aqui fica um bom contributo para este debate.
Ajustamento
O único ajustamento estrutural existente no país é este: Portugal com a maior queda nas remunerações em 2013.


