Apesar do centralismo

Exportações do Norte mantêm crescimento acima da média nacional. A região que mais contribui para as exportações é que continua a ser puxada para trás. A regionalização é a grande reforma que está por cumprir.

Bem demonstrativo

O processo que levou ao fim da «Praça da Alegria» na RTP é bem demonstrativo do centralismo que asfixia, torce, extingue. Não se deve falar muito disto. Trata-se, afinal, de um programa cujo target (é assim que se diz) estava à ilharga dos principais círculos intelectuais.

Durante 19 anos foi feito e emitido a partir do Centro de Produção do Norte. Alargou as fronteiras televisivas do país e por lá passaram muitos milhares de pessoas, projectos e profissionais muito distantes do Terreiro do Paço, que de outra forma não conseguiriam furar o círculo fechado do centralismo. A falta de meios fora de Lisboa é hoje, e cada vez mais, um oásis em forma de miragem.

Ora, há coisa de ano e meio, a administração da RTP anunciou a deslocalização massiva de recursos e meios do Porto e de outros centros para Lisboa. Alguns programas, como a «Praça da Alegria», passariam a ser produzidos em Lisboa, descaracterizando-se e perdendo a identidade que os fez (e de quem os fez). Como se esperava, como dissemos, foi uma sentença de morte. O programa acabou na sexta-feira e com ele foi-se mais um pedaço da história da diversidade e pluralismo na televisão.

Em redor despedem-se jornalistas, fecham-se delegações, «racionalizam-se» meios (leia-se, centralizam-se), tudo fica mais pequeno e mais perto de um passado que tanto trabalho deu a deixar para trás. E cada vez são menos os que podem falar livremente.

Aqui como noutros campos, o centralismo despudorado é uma das consequências mais pesadas destes anos de «ajustamento». Não o perder de vista é o primeiro passo para o derrotarmos.

O negócio do novo aeroporto

O Norte alertou em devido tempo para esta situação: a carne da privatização monopolista da ANA (inédito em todo o mundo desenvolvido) é o negócio do novo aeroporto de Lisboa, blindado por uma concessão de meio século, implicando a desvalorização dos restantes aeroportos do país.

Adivinhem quem paga?









Mais informações aqui.

Agir pelo Norte














Os dados são da CCDR-N: desde 2008 a região Norte injectou, em média, cerca de mil milhões de euros por ano na economia nacional. Foi também a região que mais contribuiu para darmos a volta à crise: o contributo da região para a balança de transacções do país atingiu um superavit de 5122 milhões de euros entre 2008 e 2012.

Cruzando estes dados com décadas de fundos estruturais perdidos e com a bota centralista que agrava as desigualdades de rendimento e o desemprego na região, percebe-se a dupla desigualdade em relação ao Norte. É preciso ir mais além.  Algumas possibilidades:

  • redistribuição de uma % do superavit comercial através de investimentos no OE e noutros programas-quadro (para o Norte e para todas as regiões que cumpram os indicadores); 
  • gestão independente das infraestruturas regionais; 
  • linhas a fundo perdido para combater o desemprego; 
  • isenções e benefícios para as empresas da região; 
  • quotas para as empresas da região nas compras centrais do Estado; 
  • posteriormente, repensar o próprio quadro fiscal para particulares e empresas. 

Só parece impossível até começar a ser feito.

AEP contra o centralismo

Corajosa entrevista de José António Barros, explicando a irracionalidade de gastar 600 milhões de euros num porto de águas profundas em Lisboa quando o Norte e o Centro agregam 70% do tecido industrial, contestando também o modelo de gestão dos fundos comunitários.

Quanto mais vozes se erguerem contra este centralismo que nos atrasa, mais rapidamente conseguiremos dar a volta.

Porto, Lisboa, Luanda













Mais um contributo para se perceber o estrangulamento centralista a que o Aeroporto do Porto tem vindo a ser sujeito, prejudicando a competitividade da economia regional.

Até há poucos meses, todos os passageiros do Porto que queriam voar para Luanda tinham de escolher a TAP, que por sua vez os obrigava a uma deslocação forçada a Lisboa, já que a rota directa a partir do Porto supostamente não era rentável.

Ora, onde a TAP actuou sob uma perspectiva centralista, a TAAG viu uma boa oportunidade de negócio. Resultado? Teve até de reforçar a frequência inicial dos voos e assistiu a um aumento de 152,8% em passageiros.