Passos criou «130 mil empregos»? Sim, mas antes destruiu 420 mil.
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Quando o Governo decidiu retirar rendimentos aos trabalhadores e dá-los às empresas: TSU e Natal. Há dois anos que o «Pedro» deixou de escrever no Facebook.
Autocrítica
3 anos depois da austeridade redentora que iria limpar o país, a dívida pública subiu para 132,3%. Tudo falhou: PIB, desemprego, dívida, défice, tudo. Em desespero pré-eleitoral, Passos Coelho apareceu na campanha para as europeias e disse que não podemos aceitar uma política de ilusão. Três anos depois, perante o que vemos e sabemos, Passos Coelho fez um extraordinário exercício de autocrítica.
Exercício de memória
Foi há coisa de 3 anos que o nosso país foi traído por aqueles que, então na oposição, viriam a tomar o poder.
Contra todas as resistências de um Governo que então procurava segurar um minúsculo barco numa das mais violentas tempestades do século, para cuja protecção imediata já tinha garantido o apoio dos parceiros europeus, torpedearam-nos, violaram o compromisso nacional estabelecido entre lideranças partidárias após 3h de reunião entre Sócrates e Passos (é um monumento político a declaração de Miguel Relvas a apoiar o PEC IV até Passos-Cavaco-Durão alterarem as peças do tabuleiro) e deixaram-nos sem bote nem salva-vidas no meio do oceano selvagem.
Falando com clareza, fizeram-no porque sabiam que sem o resgate dificilmente ganhariam nas urnas e o «ajustamento» serviu como uma luva ao programa que a direita sempre quis implementar mas nunca tivera coragem para defender.
Ninguém pode dizer que falhou a solução de então – temporária e violando muitos dos valores fundamentais do PS, não tenho dúvidas – porque não chegou a ser implementada. E na altura nós precisávamos de tempo no turbilhão, não entrando em aventuras de resgates, e de proteger o país no furacão, obtendo o financiamento que o chumbo do PEC fechou.
Por causa disso, num período limite da nossa história recente, Sócrates mantinha uma resistência patriótica que à distância parece de outra era. Foi forçado à demissão mas não desistiu. Enquanto outros já estavam em campanha eleitoral, mentindo despudoradamente e preparando a vidinha, com Catroga à cabeça, Sócrates procurava encontrar 5 mil milhões de euros para os compromissos de curto e médio prazo do Estado, independentemente do Governo que viesse a sair das eleições, evitando assim o desastre do resgate.
Mas as forças em jogo eram demasiado poderosas. O G8 da banca foi em procissão ao BdP e daí os banqueiros saíram para uma inédita série de entrevistas com Judite de Sousa, empurrando Portugal para o resgate em directo na televisão e salvaguardando os interesses dos seus bancos. Foi na sequência disso que uns dias depois, num famoso final de tarde, um Teixeira dos Santos também agrilhoado pela finança nacional telefonou ao Jornal de Negócios e anunciou que o país ia pedir um resgate.
Sócrates fora traído, cercado e restava-lhe assinar o papel. Recusou sempre o resgate porque sabia a tragédia social e económica que se ia abater sobre o país; infelizmente, Passos e Portas também o sabiam perfeitamente mas viram aí uma oportunidade.
A duas semanas de voltarmos às urnas, vale a pena recordar quem na adversidade tentou manter-nos de pé e quem não hesitou em atirar-nos ao chão.
Dissidências no Consenso
A união bancária é a nova disputa do Consenso de Berlim.
A Alemanha ditou todas as regras que foram criticadas pelo Parlamento Europeu, voltou a minimizar a solidariedade financeira na UE e a Ministra das Finanças - citada na imprensa internacional - foi uma das vozes críticas juntamente com outros países do Sul, abrindo brechas na posição do Governo sobre esta matéria.
De resto, o debate das dissidências faz-se já no seio da própria Comissão Europeia pela voz do responsável pela área do Trabalho:
Indiferente a tudo isto, Passos Coelho mantém a fleuma dos seus lugares comuns ideológicos.
Sobre a entrevista de Passos Coelho
Vasco Pulido Valente hoje no Público:
Berta Cabral
Palavras da nova Secretária de Estado da Defesa:
«(...) Alguém me acha parecida com o dr. Passos Coelho? Alguém acha que tenho um passado que leve as pessoas a pensarem que sou igual ao dr. Passos Coelho?», questionou.
«Eu tenho um passado. Eu não nasci ontem para a política. As pessoas conhecem a minha obra social feita até agora. As pessoas sabem a minha sensibilidade para as questões sociais. (…) Nunca virei a cara a esses problemas», acrescentou na entrevista à RTP-Açores na passada quinta-feira à noite.
Berta Cabral diz que «até fica mal» as pessoas associarem-na às medidas de austeridade do Governo.»
Salário Mínimo Nacional
Os liberais portugueses querem reduzir o desemprego reduzindo o salário mínimo nacional, que é verdadeiramente o salário da vergonha nacional.
Passos e Gaspar não abdicam do seu PREC de direita, mas podem começar por explicar como é que o salário mínimo mais baixo da zona euro produziu a terceira taxa de desemprego mais elevada da União Europeia.

