As contas das ajudas à banca

Ajudas públicas à banca totalizaram o valor impressionante de 592 mil milhões de euros entre 2008 e 2012. Desses, um quarto foi para a Alemanha.

Para matar de vez a desigualdade

Um excelente artigo do Renato Carmo.

«(...) Para quebrar com este carácter sistémico e reprodutivo das desigualdades exige-se que a acção política incorpore uma matriz progressista alicerçada, do meu ponto de vista, em três pilares fundamentais: qualificação, redistribuição e "desprivatização" (tive oportunidade de os defender no livro recentemente publicado intitulado Estado Social: de Todos para Todos). O primeiro deriva do aprofundamento da função e da actuação universalizante do sistema de educação pública em capacitar as suas populações de um conjunto diversificado (mais ou menos especializado) de conhecimentos, saberes e competências científicas. 

O segundo deverá resultar de um mix de políticas de redistribuição do rendimento e da riqueza capaz de conjugar e articular medidas como o aumento do salário mínimo, a maior justeza na progressividade fiscal, a extensão da tributação aos rendimento de capital e às diferentes formas propriedade e de herança patrimonial, a definição de rácios máximos de remuneração entre os salários mais baixos e os mais altos vigentes nas várias empresas e organizações, etc. 

O terceiro diz respeito à qualidade democrática das instituições públicas e a aptidão que estas deverão ter de se proteger face à apropriação dos interesses privados que põem em causa a generalização do bem comum. É fundamental dotar as instituições de mecanismos consolidados de participação democrática que as imunizem em relação à interferência do poder e agendas dos grupos financeiros e económicos e de outros grupos sociais privilegiados Só por esta via a autonomia e as liberdades individuais podem ser asseguradas e devidamente salvaguardadas em prol do bem de todos e para todos.»

Desemprego e Segurança Social

No pico do desemprego do «ajustamento» escrevi que o impacto na Segurança Social seria brutal. A Universidade de Aveiro fez as contas e os números são assustadores.

É por isso que as medidas de austeridade cumprem duas funções para a direita: o desemprego baixa o valor trabalho e, como consequência dos estabilizadores, o sistema público de Segurança Social fica descapitalizado, abrindo caminho a soluções mistas e/ou inteiramente privadas.

Este filme, demasiado previsível, está à frente dos nossos olhos.

Reestruturar para viver

Só na primeira metade de 2014, o Estado português pagou mais de mil e cinquenta milhões de euros (1050000000) em juros e comissões à troika. Não é ajuda, é pilhagem. A reestruturação é o caminho. Assumir a impossibilidade de Portugal pagar a dívida agravada pelo desastre económico da austeridade, criando buracos dentro de buracos num país mais pobre e exaurido, é não só uma inevitabilidade como um crescente acto de lucidez, ponderação e sensatez.

Fracasso













O Tribunal de Contas concluiu que Plano de Redução e Melhoria da Administração Central do Estado (Premac) só abrangeu 16% do universo da administração pública, as reduções de estruturas e cargos dirigentes ficou muito aquém das metas delineadas e até se verificou um aumento do número de postos de trabalho. A doutrina não só é má como inoperante.

Pela República espanhola

















Milhares de espanhóis desfilaram pelo fim da monarquia herdada de Franco, minada pela corrupção e pelo centralismo madridista.

14 Abril é a data que assinala a proclamação da II República, que foi derrotada após um golpe militar apoiado pela direita europeia, que levou a uma guerra civil alimentada pelo armamento nazi-fascista: foi o preâmbulo da Segunda Guerra Mundial.

A monarquia é um regime decrépito, assente na captura de bens públicos e na aleatoriedade genética anti-democrática. As grandes manifestações deste domingo provam que os espanhóis não esquecem e que a República, mais cedo ou mais tarde, vai triunfar.

Viva a República!