Desigualdades de rendimentos

1% dos portugueses tem 21% da riqueza do país.

Sim, há alternativa

Foi hoje apresentado o cenário macroeconómico alternativo solicitado pelo PS.

O estudo resulta de um trabalho sério e estruturado (link para pdf) que apresenta medidas que o PS pode ou não incluir no seu Programa de Governo. Certo é que apontam um caminho radicalmente oposto ao que foi aplicado pela direita, valorizando o trabalho e os rendimentos para uma economia decente. Sim, é possível uma governação de esquerda.

Aqui ficam as principais medidas em diferentes áreas.

O trabalho que pague a crise

Entre 2011 e 2014, o ganho líquido médio nominal dos trabalhadores do sector privado diminuiu em 5,7%, mas se considerarmos o efeito do aumento de preços, o ganho médio real de 2014 - o poder de compra - é inferior ao de 2011 em 11,6%.

Para os trabalhadores da Função Pública, a redução foi maior.

Aqui.

«Portugal à venda»

É esse o título de uma reportagem do El Pais sobre os tristes tempos que vivemos sob este Governo desistente:

«“Portugal no se puede desarmar. Los órganos de la soberanía deben interpretar fielmente la búsqueda del bien común que es propiedad de la Nación”. Aunque lo parezca, Portugal no está siendo agredida bélicamente, sino, al parecer, desarmada económicamente. Hoy es Portugal Telecom, un pilar del país, convertida en moneda de cambio de la brasileña OI, ayer los hospitales, anteayer la red eléctrica y la red del agua. (...)»

Nokia

A Nokia vai acabar e com ela vai parte da nossa história com a evolução tecnológica de telemóveis e outros gadgets. Julgo que é uma marca demasiado importante para ser simplesmente absorvida pela Microsoft, sem permanecer no mercado com identidade própria, mas enquanto isso podemos ver aqui a sua evolução.

Salário máximo

A desigualdade de rendimentos tem vindo a agravar-se dramaticamente nas últimas décadas.

Os 100 dirigentes empresariais mais bem pagos da UE e EUA ganhavam 20 vezes o salário médio dos seus trabalhadores em 1980, valor que subiu para 60 vezes em 1998 e atingiu as 160 vezes em 2012.

É necessário parar esta escalada que agrava as desigualdades salariais, desvaloriza o trabalho e fomenta a pobreza entre trabalhadores.

Aqui fica um bom contributo para este debate.

Reestruturar para viver

Só na primeira metade de 2014, o Estado português pagou mais de mil e cinquenta milhões de euros (1050000000) em juros e comissões à troika. Não é ajuda, é pilhagem. A reestruturação é o caminho. Assumir a impossibilidade de Portugal pagar a dívida agravada pelo desastre económico da austeridade, criando buracos dentro de buracos num país mais pobre e exaurido, é não só uma inevitabilidade como um crescente acto de lucidez, ponderação e sensatez.

Agir pelo Norte














Os dados são da CCDR-N: desde 2008 a região Norte injectou, em média, cerca de mil milhões de euros por ano na economia nacional. Foi também a região que mais contribuiu para darmos a volta à crise: o contributo da região para a balança de transacções do país atingiu um superavit de 5122 milhões de euros entre 2008 e 2012.

Cruzando estes dados com décadas de fundos estruturais perdidos e com a bota centralista que agrava as desigualdades de rendimento e o desemprego na região, percebe-se a dupla desigualdade em relação ao Norte. É preciso ir mais além.  Algumas possibilidades:

  • redistribuição de uma % do superavit comercial através de investimentos no OE e noutros programas-quadro (para o Norte e para todas as regiões que cumpram os indicadores); 
  • gestão independente das infraestruturas regionais; 
  • linhas a fundo perdido para combater o desemprego; 
  • isenções e benefícios para as empresas da região; 
  • quotas para as empresas da região nas compras centrais do Estado; 
  • posteriormente, repensar o próprio quadro fiscal para particulares e empresas. 

Só parece impossível até começar a ser feito.

A Suíça e os fantasmas













Antes mesmo de qualquer análise sobre os resultados do referendo à livre circulação na Suíça, os argumentos para a sua convocação - e o tipo de campanha feita pelos nacionalistas do SVP - demonstram como a ignorância é um pasto fértil para o populismo e a demagogia.

Contrariando os imigrantes em «massa» que estariam a tirar empregos aos suíços, esta iniciativa da direita extrema choca frontalmente com a realidade:

  • Segundo a OCDE, a Suíça é quem mais beneficia com a livre circulação: comparando receita fiscal com custos atribuídos aos imigrantes (incluindo custos administrativos, sociais e de infra-estruturas que lhes podem ser imputados), o saldo positivo é de pelo menos 6,5 mil milhões de francos.
  • Quatro em cada dez novas empresas na Suíça são de estrangeiros. Em 2013, criaram pelo menos 30 mil novos postos de trabalho.
  • 1/4 do crescimento no consumo desde 2008 pode ser atribuído aos estrangeiros (Credit Suisse).
  • Um posto de trabalho em cada três depende das trocas da Suíça com a UE, que ganha um franco em cada três nas exportações com a Europa. 
  • A Suíça tem 470 mil cidadãos a viver nos Estados da UE.

Acontece que as percepções são bem mais poderosas do que os factos.

As raízes da árvore que despedaçam a Suíça nos cartazes nacionalistas são na verdade as sementes da sua prosperidade, mas os fantasmas nunca precisaram de terra firme para inspirarem os maiores medos.