Sobre a entrevista de Passos Coelho

Vasco Pulido Valente hoje no Público:

«[Passos Coelho] Ficou no quarto escuro da banalidade ou da irrelevância e levou o país com ele; nem uma luzinha, bruxuleante ou não, brilhou naquela deprimente melancolia. O PSD retirou deste estado semicomatoso que o homem estava calmo. 

 Às perguntas substanciais Pedro Passos Coelho respondeu sempre que o futuro a Deus pertence. As decisões do Tribunal Constitucional pertencem a Deus, como o défice e a dívida, como o crescimento, como o programa cautelar, como a vida da gente que anda por aí sem vida. O Altíssimo, a seu tempo, resolverá tudo e ele, um simples primeiro-ministro, não quer exceder as suas competências. (...) 

Quanto ao resto, o primeiro-ministro pensa que este seu mandato consolidou as finanças, modernizou a economia e nos preparou para voos que espantarão o mundo. Existe, é claro, a difícil questão do desemprego e da miséria geral.»

Mais tempo, menos dinheiro, mais austeridade

O Governo andou durante meses a evitar reconhecer o inevitável: que teria de prolongar a maturidade dos empréstimos.

O facto de não o ter feito mais cedo faz com que o resultado da estratégia de não ter pedido mais tempo seja efectivamente pedir mais tempo, mas com menos dinheiro e mais austeridade.