Êxodo












Em 2014 saíram de Portugal 134.624 pessoas. Ao todo entre 2011 e 2014 emigraram perto de meio milhão de pessoas (485.128).

A Suíça e os fantasmas













Antes mesmo de qualquer análise sobre os resultados do referendo à livre circulação na Suíça, os argumentos para a sua convocação - e o tipo de campanha feita pelos nacionalistas do SVP - demonstram como a ignorância é um pasto fértil para o populismo e a demagogia.

Contrariando os imigrantes em «massa» que estariam a tirar empregos aos suíços, esta iniciativa da direita extrema choca frontalmente com a realidade:

  • Segundo a OCDE, a Suíça é quem mais beneficia com a livre circulação: comparando receita fiscal com custos atribuídos aos imigrantes (incluindo custos administrativos, sociais e de infra-estruturas que lhes podem ser imputados), o saldo positivo é de pelo menos 6,5 mil milhões de francos.
  • Quatro em cada dez novas empresas na Suíça são de estrangeiros. Em 2013, criaram pelo menos 30 mil novos postos de trabalho.
  • 1/4 do crescimento no consumo desde 2008 pode ser atribuído aos estrangeiros (Credit Suisse).
  • Um posto de trabalho em cada três depende das trocas da Suíça com a UE, que ganha um franco em cada três nas exportações com a Europa. 
  • A Suíça tem 470 mil cidadãos a viver nos Estados da UE.

Acontece que as percepções são bem mais poderosas do que os factos.

As raízes da árvore que despedaçam a Suíça nos cartazes nacionalistas são na verdade as sementes da sua prosperidade, mas os fantasmas nunca precisaram de terra firme para inspirarem os maiores medos.

A porta da rua













Passos Coelho foi a França dizer que «ninguém, no Governo, aconselhou os portugueses a emigrarem».

As suas declarações surgem no dia em que o INE confirmou que a emigração dos portugueses, sobretudo dos mais jovens e mais qualificados, cresceu uns impressionantes 85% num ano.

Ora, acontece que Passos Coelho, como habitualmente, está a mentir. O Governo fez da absurda política de emigração forçada uma bandeira e repetiu-o várias vezes:


A emigração, por si, não é nenhum problema. Torna-se uma tragédia quando surge como inevitabilidade devido à incapacidade do Governo em implementar políticas que criem oportunidades e alternativas dentro do país.

Pior: é duplamente estúpido e economicamente irracional investir na formação de jovens que vão contribuir para a qualificação e competitividade de outros países.

O Governo começa agora a perceber o erro que cometeu. Tarde de mais. Passos mente e só reforça o sentimento de revolta em todos os que viram o seu país apontar-lhes a porta da rua.