Em 2014 saíram de Portugal 134.624 pessoas. Ao todo entre 2011 e 2014 emigraram perto de meio milhão de pessoas (485.128).
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A emigração e a propaganda
Posted on 05 maio 2015
Texto que publiquei sobre a sombria realidade da emigração:
«Na realidade, para a maioria dos portugueses que saem do país, a emigração é uma derrota e não raras vezes uma tragédia pessoal que desfaz famílias. É o fim da linha após o esgotamento de todas as opções em situação de desemprego, direcciona-se para funções desqualificadas, enfrenta baixos salários nos países de destino e, em muitos casos, desemprego e pobreza. (...)»
A Suíça e os fantasmas
Posted on 11 fevereiro 2014
Antes mesmo de qualquer análise sobre os resultados do referendo à livre circulação na Suíça, os argumentos para a sua convocação - e o tipo de campanha feita pelos nacionalistas do SVP - demonstram como a ignorância é um pasto fértil para o populismo e a demagogia.
Contrariando os imigrantes em «massa» que estariam a tirar empregos aos suíços, esta iniciativa da direita extrema choca frontalmente com a realidade:
- Segundo a OCDE, a Suíça é quem mais beneficia com a livre circulação: comparando receita fiscal com custos atribuídos aos imigrantes (incluindo custos administrativos, sociais e de infra-estruturas que lhes podem ser imputados), o saldo positivo é de pelo menos 6,5 mil milhões de francos.
- Quatro em cada dez novas empresas na Suíça são de estrangeiros. Em 2013, criaram pelo menos 30 mil novos postos de trabalho.
- 1/4 do crescimento no consumo desde 2008 pode ser atribuído aos estrangeiros (Credit Suisse).
- Um posto de trabalho em cada três depende das trocas da Suíça com a UE, que ganha um franco em cada três nas exportações com a Europa.
- A Suíça tem 470 mil cidadãos a viver nos Estados da UE.
Acontece que as percepções são bem mais poderosas do que os factos.
As raízes da árvore que despedaçam a Suíça nos cartazes nacionalistas são na verdade as sementes da sua prosperidade, mas os fantasmas nunca precisaram de terra firme para inspirarem os maiores medos.
A porta da rua
Posted on 17 janeiro 2013

Passos Coelho foi a França dizer que «ninguém, no Governo, aconselhou os portugueses a emigrarem».
As suas declarações surgem no dia em que o INE confirmou que a emigração dos portugueses, sobretudo dos mais jovens e mais qualificados, cresceu uns impressionantes 85% num ano.
Ora, acontece que Passos Coelho, como habitualmente, está a mentir. O Governo fez da absurda política de emigração forçada uma bandeira e repetiu-o várias vezes:
- «Miguel Relvas voltou a defender que a juventude portuguesa tem na emigração um melhor futuro».
- «Secretário de Estado aconselha emigração aos jovens»
- «Passos Coelho sugere a emigração a professores desempregados»
- ...
A emigração, por si, não é nenhum problema. Torna-se uma tragédia quando surge como inevitabilidade devido à incapacidade do Governo em implementar políticas que criem oportunidades e alternativas dentro do país.
Pior: é duplamente estúpido e economicamente irracional investir na formação de jovens que vão contribuir para a qualificação e competitividade de outros países.
O Governo começa agora a perceber o erro que cometeu. Tarde de mais. Passos mente e só reforça o sentimento de revolta em todos os que viram o seu país apontar-lhes a porta da rua.

