A ler, absolutamente e para lá dos títulos destacados, a extraordinária entrevista do Eduardo Vítor Rodrigues no Público deste sábado. De leitura obrigatória para todos os autarcas e não só. Só espantará quem andar distraído em relação ao seu percurso, preparação e intervenção.
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Gaia sob resgate
Foi formalizado o resgate financeiro à autarquia de Vila de Nova de Gaia.
O resgate, de quase 23 milhões de euros, não é sequer suficiente para pagar as dívidas aos fornecedores da Câmara e implicará, entre outras consequências, o aumento de impostos municipais para as taxas máximas e o fim da autonomia financeira de Vila Nova de Gaia, que passa a ter visto prévio de Lisboa.
A «herança» de Menezes é, cada vez mais, uma sentença para as gerações futuras.
O descalabro de Gaia
Para além de vãs promessas e intenções, uma das formas mais directas de uma autarquia ajudar a sua economia local é pagar a tempo e horas, não provocando o estrangulamento das empresas do concelho.
Não queremos este desvario na Câmara Municipal do Porto.
O rapaz da cavalariça
Em política, as más opções são fruto do livre arbítrio, os disparates são um azar ou uma tristeza, mas a falta de coluna vertebral é invariavelmente um desafio para a ciência. Nuno Cardoso enveredou pela via estudada por Darwin, aplicando-a às espécies mais fracas.
Perante a hecatombe do seu patrão nas sondagens, cuja candidatura já apoiara publicamente, decidiu anunciar uma «candidatura» sem rumo nem propósito, a destempo de tudo, fazendo dos portuenses idiotas úteis dos habituais esquemas do soba de Gaia.
Nuno Cardoso, que ganhou em 3 adjudicações carimbadas por Menezes o que o cidadão médio não ganha em duas décadas, podia ter tido um final mais feliz. Mas não. Decidiu fazer parte de uma estratégia deliberada de Menezes, falhada de tão óbvia, para roubar umas migalhas à candidatura do PS.
Merecia mais do que ser o rapaz da cavalariça.
A evolução de Luís Filipe Menezes nas sondagens
As sondagens não devem ser sobrevalorizadas. São afectadas por muitos factores metodológicos (serem ou não baseadas em chamadas para residências com telefone fixo, presunção de abstenção para NS/NR, etc) e políticos, muitos deles imprevisíveis no actual contexto.
Mas nenhum actor político deve ficar alheio às sondagens elaboradas com seriedade, porque várias sondagens revelam a orientação do eleitorado e as tendências de evolução de uma candidatura. Neste contexto, vale a pena comparar as intenções de voto em Luís Filipe Menezes para o Porto.
Tem tudo a seu favor: os recursos da Câmara de Gaia para fazer campanha, muito dinheiro, uma imprensa genericamente domesticada (para dizer o mínimo), um Governo a ajudá-lo, várias agências de comunicação, a notoriedade acumulada e a ganga da obra em Gaia, décadas de visibilidade mediática, um Big Brother de famosos para as juntas de freguesia, promessas e mais promessas (Bolhão recuperado num ano com parque de estacionamento e quiçá alcatifa, 50 mil habitantes que não conseguiu após 16 anos em Gaia, muitas pontes e um túnel, o paraíso na terra).
Só parece que lhe começa mesmo a faltar a intenção de voto dos portuenses.
Os abusos da Câmara Municipal de Gaia
Ao longo das últimas semanas têm vindo a avolumar-se os sinais de desespero e desnorte da candidatura de Luís Filipe Menezes à Câmara Municipal do Porto.
A sua campanha tem sido errática. Vive num estado de permanente bipolaridade em relação aos tribunais, ao mesmo tempo que apresenta um vendaval de megalomanias que procuram criar uma sofreguidão mediática para tapar os muitos problemas de origem: a ausência de propostas reais para a cidade do Porto, o desastre que deixa em Gaia, a cisão entre PSD e CDS e as crescentes divisões, cada vez mais visíveis, no interior do próprio PSD Porto.
Por outro lado, Luís Filipe Menezes continua a utilizar a Câmara Municipal de Gaia como plataforma de combate político para a sua candidatura ao Porto. Depois dos pareceres pagos pela Câmara de Gaia para defender a sua candidatura e das centenas de milhares de euros que têm sido gastos com publicidade em jornais de grande tiragem, Luís Filipe Menezes ultrapassou o cúmulo da decência ao mandar o seu número dois na autarquia de Gaia assinar um comunicado para atacar as posições do candidato do PS à Câmara Municipal do Porto.
Note-se que a candidatura do PSD não emitiu um comunicado de imprensa, como seria lógico e natural. Ao invés, usou dinheiro dos contribuintes, num contexto de fortes restrições orçamentais, para defender as posições políticas do seu candidato.
Ironicamente, este tipo de abusos cometidos pela Câmara de Gaia são o melhor argumento para defender que a lei de limitação de mandatos impede mesmo a candidatura de Menezes a outra autarquia. Se assim não for, estamos a limitar o caciquismo mas não o clientelismo.
O delirante Menezes demonstra que a interpretação da lei circunscrita ao território e não à função (como está na lei) não impede nenhum vício nem assegura a renovação das práticas e dos protagonistas: pelo contrário, agrava todas as promiscuidades.
Os juízes estão certamente atentos. Cada anúncio da Câmara de Gaia é mais um anexo para defender a posição dos que defendem a ética da República.
Artigo publicado no jornal «Ponto Norte».
Gaia prova que Menezes não pode candidatar-se
- A Câmara Municipal de Gaia decidiu pagar um anúncio/comunicado de meia página em jornais de grande circulação para atacar a candidatura de Manuel Pizarro à Câmara Municipal do Porto.
- O anúncio surgiu em resposta aos argumentos e números solidamente apresentados por Manuel Pizarro em entrevista na SIC Notícias.
- Ao longo dos últimos meses, a Câmara de Gaia tem investido centenas de milhares de euros em publicidade e destacáveis em jornais de grande tiragem, promovendo a candidatura do seu ainda presidente a outra autarquia.
- O anúncio desta semana, que foi prontamente desmontado pelo PS Porto, confirma que uma autarquia está a utilizar ilegalmente (e imoralmente) fundos públicos para apoiar uma candidatura autárquica: a Câmara de Gaia pagou milhares de euros para publicar um comunicado que defende politicamente a visão do candidato Menezes, que mistura a autarquia de Gaia com uma central de campanha.
- Para além da Câmara de Gaia mentir na realidade criativa que apresentou, demonstra que a lei de limitação de mandatos só pode aplicar-se à função e nunca, como Luís Filipe Menezes defende em violação da lei existente, apenas ao território.
- Luís Filipe Menezes prova que a lei de limitação de mandatos tem de impedir não só o caciquismo mas também o clientelismo. Os juízes estão certamente atentos ao que a Câmara de Gaia tem feito: ironicamente, é a maior prova para fazerem valer a lei contestada por Menezes.
A vida difícil de um cacique
Luís Filipe Menezes demonstra quão difícil pode ser a vida de um cacique local que desempenha ininterruptamente funções políticas há mais de um quarto de século.
O candidato «supra-partidário» à Câmara do Porto é também, extraordinariamente, presidente da concelhia do PSD de Gaia. E o dossier da escolha do seu sucessor em Gaia evidencia bem o desnorte e o desastre com que tem pautado a sua intervenção pública:
- Menezes andou durante ano e meio a anunciar que tinha um candidato para lhe suceder. Mais preocupado com a sua reforma política do que em cumprir o mandato que lhe deram em Gaia, dedicou-se a promover Marco António Costa para a autarquia e anunciou a sua candidatura em pleno Congresso do PSD.
- Ora, Marco António nunca se pronunciou publicamente até bater com a porta a Menezes já este ano.
- Perante o revés, Menezes garante a «imparcialidade na escolha do candidato do PSD para Gaia», reclama o papel de «rainha de Inglaterra» [sic] e anuncia que o processo estaria fechado até 18 de Janeiro.
- Logo abandonando o papel que anunciou, Menezes lançou Guilherme Aguiar para a autarquia e recusou votar Firmino Pereira, vice-presidente da Câmara de Gaia, que tinha uma recomendação de 14 presidentes de Junta para ser proposto como candidato.
- Após uma primeira votação «pouco clara», uma segunda votação - em urna, por voto secreto - resultou num empate, mas Luís Filipe Menezes afirmou ter voto de qualidade e oficializou a candidatura.
- Firmino Pereira contestou a decisão de Menezes.
- A imprensa local diz que o PSD Gaia está entre «o céu e o abismo».
- No dia 29 de Janeiro, Menezes volta atrás e anunciou que ia convocar novas eleições para votar o candidato à Câmara de Gaia, anulando a escolha de Guilherme Aguiar.
- No mesmo dia, colocava a decisão nas mãos de Passos Coelho, seu apoiante: «o autarca optou por entregar ao presidente do PSD a decisão, que deve passar pela escolha de uma personalidade terceira, com notoriedade e prestígio, para assumir essa exigente tarefa».
- Durou 48 horas. Dois dias depois, afinal, Menezes já queria recuperar outra vez o processo da escolha do candidato.
- Elísio Pinto, membro da Comissão Política do PSD e presidente da Junta de Freguesia de Vilar do Paraíso, diz aos jornalistas que «este processo está todo inquinado e quem o inquinou só tem um nome: Luís Filipe Menezes».
- Firmino Pereira recusa «uma terceira via».
- A distrital do PSD diz que não abdica de ter uma palavra a dizer, independentemente da palavra de Menezes.
- ...
Impedir que lidere a capital do Norte é, mais do que uma opção partidária, uma exigência cidadã.
:: Leitura relacionada :: «Fintar a limitação de mandatos: fraude à democracia».





