
O Governo está sem qualquer estratégia para combater o desemprego em geral e o desemprego jovem em particular. Depois de meses de paralisia nas políticas activas de emprego, de destruição dos programas existentes e de desregulação da legislação laboral, os resultados estão à vista: aumento do desemprego todos os meses e aumento do desemprego jovem acima da média.
Perante estes resultados e após quase um ano de governação que impossibilita cada vez o discurso legitimador da herança passada, vamos assistir a uma mudança na comunicação política do Governo e no teor das medidas anunciadas. Será uma mudança subreptícia, mas ainda assim uma mudança.
O discurso vai tornar-se mais benevolente, menos crispado, mais atento às pessoas e aos seus problemas, mas sem qualquer preocupação real com a execução das medidas nem propriamente com a alteração das políticas que estão a conduzir o país ao abismo.
É um misto de inevitabilidade perante a tragédia social em que estamos, em particular o desemprego de quase 1 milhão de portugueses, mas também de sobrevivência política. Porque há uma fronteira que ainda não cruzámos, mas que Passos e Relvas conhecem bem, em que o espírito do tempo deixa de ser favorável ao poder instituído e em que os dias passam a correr contra quem governa. Chegaremos lá, como sempre.
Depois de aprovar várias medidas para destruir qualquer protecção no emprego dos mais jovens, o Governo mudou a agulha e quase um ano depois de estar em funções anunciou agora um programa de estágios para jovens nas empresas. Saúdam-se todas as medidas que promovam a empregabilidade jovem, mas estas chegam com alguns anos de atraso face ao que foi feito por José Sócrates, incluindo estágios profissionais, PEPAL, PEPAP, os vários INOV e apoios à contratação. Mais: todas essas medidas implementadas pelo anterior Governo do PS foram duramente criticadas pelos partido da actual maioria, incluindo as suas estruturas de juventude.
Se não perdessem tanto tempo a denegrir o que foi feito nos últimos anos, PSD e PP teriam chegado a estas conclusões mais cedo e com mais assertividade. Desta forma temos a implementação avulsa de medidas que os seus autores criticaram no passado e que não são conjugadas com outras medidas activas de emprego. Foi para isto?
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